27 de Junho de 2009

Sem anestesias

Dor. Dói tudo

Doem os corpos que caem alvejados

E as crianças na rua vagando sem rumo

Doem todos aqueles sonhos abortados.

Dói ver as portas e as janelas cerradas

As grades de ferro cercando os muros

O medo estampado covardia nas caras

Doem todos aqueles gritos mudos.

Dói o câncer, a sífilis

E sua legião de enfermos

Dói a AIDS, a pneumonia, a hepatite

E as coisas que ainda não sabemos.

Dói a fome, a sede

Pior, tem comida, tem água sobrando

Dói a desnutrição e suas crias

Esqueletos humanos, crianças apáticas agonizando.

Dói a estupidez de mais uma guerra

Já foram tantas e outras mais diferentes

Dói ver o descolorido flagrante de nossa época

Pior, como dói saber que poderia ter sido diferente.

Doem todas as nossas misérias históricas

As desigualdades seculares e hipócritas

Dói o preconceito, a violência e o racismo

Dói não olhar o que é preciso ser visto.

Doem na pele as mentiras que engolimos

E todas as falsidades que alimentamos

Dói perceber que nunca fomos mais do que isso

E saber que assim jamais seremos diferentes do que somos.

A dor é profunda e às vezes dá vontade de parar

Mas a roda viva continua a todo vapor a girar e girar

Então, apesar dos males e das tristezas é preciso acreditar

Que, mesmo que tudo diga o contrário, é possível mudar.

E se a dor for ainda mais pungente e mordaz

Que nossos desejos de transformar a vida

Então é que num momento simples e fugaz

A gente pode descobrir que ela é mesmo bonita e bonita.

E como as águas da chuva que caem no chão

Ou as nuvens que passam velozes no céu distante

A vida corre depressa, e não espera não

É preciso saber fazer valer a pena cada instante.

Pode até doer as tristezas, mas sempre haverá alegrias

E motivos pra continuar firme caminhando e acreditando

Pois apesar de todas estas dores não quero anestesias

Prefiro de olhos abertos e pés no chão, continuar sonhando.


* Poesia escrita para a qualificação da dissertação "Não dá pé. Não tem pé nem cabeça. Não tem ninguém que mereça. Não tem coração que esqueça": a "chacina do PAN" e a produção de vidas descartáveis na cidade do Rio de Janeiro.


Em 27 de julho de 2007 o Conjunto de Favelas do Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, foi palco de uma mega-operação policial que contou com mais de 1.000 policias e que apreendeu 14 armas e matou 19 pessoas. Inúmeros relatórios e entidades, movimentos sociais e pensadores denunciaram a violência da operação, acusando a polícia de protagonizar um verdadeiro massacre contra a população do Complexo do Alemão. a "chacina do PAN", é um acontecimento fundamental para pensarmos quanto a vidas das populações pobres da cidade do Rio de Janeiro se transformam em vidas descartáveis contras as quais qualquer tipo de atrocidade não é considerada crime.

Hoje faz dois anos que a população do Complexo do Alemão foi atingida pela força policial, mas quantos outros tantos massacres não ocorreram desde aquela data? quantos ainda não irão acontecer?

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29 de Abril de 2009

Fundamental mesmo é o amor

   Em novembro de 2007, o médico estadunidense Patch Adams protagonizou uma das melhores entevistas já dadas - e que eu pude ver - no programa "Roda Viva", TV Cultura. Em suas falas, Patch não apenas fez duras críticas a política imperalista de seu país como apontou que o melhor remédio não é rir, mas a amizade. As palavras de Patch já falam por si mesmas: 

"No início, fiquei constrangido com o filme. Sou ativista político, trabalho pela paz e pela justiça. Considero fascista o meu governo. Se não mudarmos de uma sociedade que venera dinheiro e poder para uma que venere compaixão e generosidade, não haverá esperança para a sobrevivência do ser humano neste século."

"Não concordo com 'rir é o melhor remédio'. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos." 

"Fiz o filme porque não consegui arrecadar dinheiro durante 28 anos para erguer o que seria o único hospital-modelo do mundo para os problemas de que ouço falar por médicos do mundo todo. Por ser um hospital tão radical, ninguém quis me ajudar. A Universal Studios prometeu erguer nosso hospital. O filme rendeu mais de quatrocentos milhões de dólares. Ninguém ligado ao filme veio me dar nem um dólar". 

"No mundo todo, não há hospital alegre. São todos hierárquicos. Hospitais ricos não são alegres porque são comerciais. Não há tempo para gastar com pacientes. Os médicos são arrogantes, todo-poderosos e tratam todos os outros... Não todos os médicos, mas a maioria." 

"Tenho vergonha de ser americano. Somos o país terrorista. Todos sabemos que não existem mais países. É a globalização. Não existem países. É uma ilusão. As transnacionais são as donas do mundo. O século XX foi o último com países. Não significa nada. Vindo para cá, o que vi de Brasil? Então… vocês estão destruindo o que é Brasil, a Amazônia. Nunca tive nacionalismo. O nacionalismo é um problema. Historicamente, sempre foi um problema. É uma definição absurda, arbitrária de que existe algum tipo de fronteira na terra. A população indígena dos Estados Unidos achou incrível alguém poder pensar que possuía a terra. Tenho vergonha sim. O mundo todo teme o meu país. E as pessoas estão bravas com ele. Não sou esse tipo de gente. Quero condenar o meu país à prisão perpétua por assassinato em massa."

"A cada ano que passa, fico mais humilde quanto ao conceito da cura. É arrogância e é um perigo entrar na medicina ou em qualquer arte de cura pensando no restabelecimento. Aprenderá humildade na primeira semana. O seu trabalho não é curar, é cuidar. Você sempre pode cuidar. Totalmente. Todo dia, o dia todo. Sempre pode cuidar. Nunca, jamais, antes do tratamento pode garantir cura. Jamais. Jamais. Nunca. Não importa a prática com essa doença, nunca poderá saber, antes de um tratamento… a conseqüência exata desse tratamento. Falou algo de que discordo: a indústria farmacêutica preocupa se com a cura. Ela nunca se preocupa com a cura. Só se preocupa com o lucro. Tem a mais alta margem de lucro do que qualquer outra no mundo. Vende substâncias sabendo, por pesquisa, que não ajudam. Mas falsifica a pesquisa. Assim, pílulas, pílulas perigosas serão dadas. Creio que todo remédio psiquiátrico seja imperícia. Anti depressivos, ansiolíticos. Sabe que, em toda a psiquiatria, não existe um livro de psiquiatria onde haja uma declaração sobre saúde mental. Nem existe um enfoque para a saúde mental."



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9 de Abril de 2009

No programa Atitude.com (TVBrasil)

             No dia 08 de abril  participei do programaAtitude.com”, da TVBrasil. A gravação do mesmo foi ao vivo e transmitido às 18 horas (horário de Brasília). O tema do encontro foi “medos urbanos”. Falei um pouco das articulações entre mídia, violência e medo, especificamente na cidade do Rio de Janeiro e do desenvolvimento de minha pesquisa de mestrado em psicologia. Participei na condição de psicólogo e pesquisador na área de direitos humanos, mídia e violência. Também participaram do programa a socióloga Vera Malaguti Batista (Secretária-geral do Instituto Carioca de Criminologia); a psicóloga Miriam Farias  e, por telefone, a Prof. de Comunicação Social (PUC-PR) Celina Alvetti. Segue abaixo algumas fotos tiradas no programa:


(Liliane Reis, Eu, Vera Malaguti e a Mirian Farias) 


(Liliane Reis, Eu e a Vera Malaguti)


(Eu, Vera Malaguti e a Mirian Farias)


(Banda Soubrawn)

Créditos das Fotos: Aline B. F.Gomes

Mais Fotos AQUI

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6 de Abril de 2009

Pequenos poemas em prosa (Charles Baudelaire)

    “Bem em frente de nós, na calçada, estava plantado um homem de bem, de uns quarenta anos, de rosto cansado, barba grisalha, tendo numa das mãos um menino e sobre o outro braço um pequeno ser ainda muito frágil para andar. Ele cumpria o papel de uma babá e trazia os seus filhos para tomar o ar da noite. Todos em farrapos. Esses três rostos estavam extremamente sérios e seus seis olhos contemplavam fixamente o novo café com igual admiração, mas, naturalmente, com as nuances devidas às idades.
   Os olhos dos pais diziam: ‘Que beleza! Que beleza! Dir-se-ia que todo o ouro do pobre mundo fora posto nestas paredes.’ Os olhos do menino: ‘Que beleza! Que beleza! Mas é uma casa onde só pode entrar pessoas que não são como nós.’ Quanto aos olhos do menor, eles estavam fascinados demais para exprimirem outra coisa senão uma alegria estúpida e profunda.
    Os cancioneiros dizem que o prazer torna a alma boa e amolece o coração. A canção tinha razão nesta noite relativamente a mim. Não somente eu estava enternecido por esta família de olhos, como me sentia envergonhado por nossos copos e nossas garrafas, maiores que nossa sede. Virei meus olhos para os seus, querido amor, para ler neles o ‘meu pensamento’; mergulhei em seus olhos tão belos e tão bizarramente doces, nos seus olhos verdes, habitados pelo Capricho e inspirados pela Lua, quando você me disse: ‘Não suporto essa gente com seus olhos arregalados como as portas das cocheiras! Será que você poderia pedir ao maître do café para afastá-los daqui?”
   É tão difícil o entendimento, meu caro anjo, e tão incomunicável é o pensamento mesmo entre as pessoas que se amam.”

Charles Baudelaire. Pequenos poemas em prosa. Record, 2006.

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30 de Março de 2009

Sem confete e sem alegria

Outra ilusão, não foi nada

Desta vez o seu coração sabia

Que aquele relacionamento era uma cilada

Sem confete e sem alegria.

 

Mas sempre machuca

Os dias corriam e o amor não vinha

E a solidão intrusa

Insistia em ser a sua única e fiel companhia.

 

Ela se olhava no espelho

Inquiria-se se era mesmo bonita

Virava-se ao avesso

Atrás de uma resposta, alguma pista.

 

A solução, decidiria, era não amar

E não esperar que um dia fosse amada

Pois assim não ia se deixar

Não sairia machucada.

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3 de Março de 2009

E agora José? (3 de março de 1985)

Depois do aniversário do Blog Experimentando Versos (1 ano!), agora é a vez do seu humilde aprendiz de poeta soprar algumas velinhas - para ser sincero: vinte e quatro velas. Dia 3 de março de 1985 este experimentador de versos e da vida nasceu lá em São Francisco, cidade de Niterói.

Como diz o Chico: "roda mundo, roda gigante / roda moinho, roda peão / o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração"

Pra lembrar o Cazuza e o Renato Russo: o tempo não pára e temos todo o tempo do mundo: somos tão jovens.

Pra me lembrar:

Ousar experimentar

Não

Não faço poesias

Experimento versos

Busco na rotina normalizante dos dias

As brechas em que escapo

E na incerteza de uma linha nova

Reivindico o meu espaço

Crio uma canção, invento uma história

Vivo os meus momentos tão indeterminados

Com o gosto bom da vitória

Por não precisar abrir mão dos sonhos

Que tenho sonhado

Não alimento as ilusões

Pois sempre ando ocupado

Envolvido com as minhas próprias paixões

Vivo, canto, ando, choro

Nas intensidades de um sentimento

Experimento nos versos

Ir além do que mecada momento

Sentir o que não vivi, o que não planejei

Ousar experimentar

E ver na poesia

Nos versos

Os encontros e as partidas

Em suas múltiplas linhas

A vida.

Em agradecimento a todos os amigos e as amigas (das escolas, do teatro, dos cursinhos, das bandas, da música: do samba, do rock, da bossa, das viagens diarias de ônibus, dos encontros casuais e inesperados, do blog, do msn, da uerj, da uff, da famath, da poesia, da prosa etc e tal ) que durante estes vinte poucos anos atravessaram o palco de minha vida e me ajudaram a encenar inúmeros espetáculos de alegria e, às vezes, de dor. Agora, bola pra frente.

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17 de Fevereiro de 2009

O pierrot e a colombina

A quarta é de cinzas
Mas o batuque do samba não se apaga
E antes de raiar a quinta
Já se ouvem novas batucadas.

Vai o Pierrot e dança, pula, balança
No meio da multidão
Atrás de sua colombina e na esperança
De conquistar-lhe o coração.

O passista faz desenhos no ar com seus movimentos
Voa sem sair do chão e gira com o seu corpo
Desafia as leis do espaço e do tempo
Sorri, mas deixa escapar uma lágrima pelo rosto.

As crianças brincam e seguem o bloco pela rua
O rei mono, agora mais magro, desfila sorridente
Vai sambando ao lado da rainha e de todas as suas
Muitas princesas e pretendentes.

A alegoria passa e vai em direção ao desfile
As baianas rodam para aquecer e comemorar
Mas, sem avisar, o carro quebra e o dia fica mais triste
Até que o samba toca alto e todos se esquecem das lágrimas
[e vão sambar.

Nem tudo é festa,
A menina quer uma fantasia de fada
Mas a mãe não pode lhe dar mais do que lhe resta
E o que tem já não é quase nada

Na rua alguns poucos mascarados
E o pessoal da limpeza varrendo o chão
O cavaquinho e o pandeiro agora silenciados
Não tocam, mas bate forte o coração.

Na quadra a espera pela apuração dos votos
Em casa o saudosismo dos mais velhos a discutirem
Na rua a chuva caindo dispersa e passiva sobre os corpos
Apressados por se esconderem embaixo das marquises.

E em cada canto algum samba entoando
Uma alegria dispersa e perdida
Por entre letras de sambas de outros carnavais
Cantando nossas muitas tristezas e alegrias

A lembrança de tempos que não voltam mais
E a busca de dias diferentes
Onde possamos levar nossos blocos e sambas em paz
E o pierrot e a colombina possam se amar ardentemente.

Na quarta o carnaval acaba
Mas não termina
O samba invade cada madrugada
E não se esvai com as cinzas.

O pierrot, enfim, encontrou a sua colombina
E eles vão de mãos dadas pelo caminho
Ele diz que a ama e a amará por toda sua vida
E ela desconfia desse amor tão repentino
Mas deixa ele pensar que ela acredita...

* Esta poesia foi publicada originalmente em fevereiro de 2008 aqui no Experimentando Versos. Como dizem, relembrar é viver...

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8 de Fevereiro de 2009

Cidade Maravilhosa?

(Por Ratão Diniz)

Neste caso, em que a fotografia acima expõe uma realidade corriqueira, mas, ainda assim, ignorada pelos veículos de comunicação das grandes empresas de midia, as palavras se tornam supérfluas. A imgem já diz tudo.

"Nossa dor é comemorada como indicador de eficiência policial". E até quando?

Tomei a liberdade de retirar a imagem do excelente "fazendo media". Visite o site: Aqui

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2 de Fevereiro de 2009

Um convite para dançar II

Neste ano de 2009 ainda não publiquei nenhuma poesia inédita porque preciso, antes, registrar as novas obras no cartorio de direitos autorais da Fundação Biblioteca nacional. Sou a favor da livre circulação das obras literarias, musiais, cientificas, ou seja, sou contra o copyright e a favor do chamado "copyleft". Porém, o minimo que qualquer autor merece é ser reconhecido por sua obra. Já encontrei obras minhas, inclusive a descrição que tenho no blog, circulando no orkut e em outras paginas da internet sem que me dessem os devidos creditos. Qualquer um pode reproduzir as poesias que estão neste blog, mas, por favor, não se esqueçam de colocar o nome do pobre autor e de citarem o link do blog. Ser autor não pode ser sinonimo de ser dono de obras literarias porque estas não são mercadorias, contudo, não se pode desconsiderar o trabalho daquele que produziu as mesmas. Então, mais uma vez republico uma poesia aqui:

Havia uma pequena
Multidão
Mas eles viram apenas
A si próprios
E correndo em direção
Ao que seus atentos
Olhos indicavam
Sorriram
Quando, enfim,
Estavam
Um diante do outro
Não se falaram
Não piscaram
Ele esticou a mão calejada
Ela colocou os seus dedos finos
Entre os deles e
Dançaram, dançaram
Abrindo espaços e paredes
E todos concentrados
Olhavam-nos
Ela flutuava
Ele tocava o céu
E quando a última
Música tocou
Era apenas o começo.

Em agradecimento a Maria Clara (Clarinha) por ter me lembrado destes versos e ter me inspirado a fazer outros.

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24 de Janeiro de 2009

Aos que ousaram desobedecer

Nós, como defendia Paulo Freire em sua obra, temos que lutar para não sermos apenas meros atores coadjuvantes em nossas próprias historias de vida. Em Israel, um grupo de jovens na faixa etária entre 16 e 19 anos, estudantes secundaristas, ousaram desobedecer às ordens instituídas e se rebelaram, negando-se em pegar em armas e participarem do massacre na Palestina. Tais jovens, chamados de Shministim, foram presos por não concordarem em cooperar com o atentado a humanidade patrocinado pelo governo Israelense na Faixa de Gaza. Desde o dia 18 de Dezembro, há uma campanha de envio de mensagens ao governo de Israel para mostrar a este que tais jovens não estão sozinhos e que muitos são aqueles que apoiam sua iniciativa e são absolutamente contra a limpeza étnica orquestrada por este país na Palestina. Estes jovens ousaram protagonizar o que muitos de nós esquecemos que somos capazes de produzir: um mundo diferente. Ao dizerem não a estupidez e a violência que dilaceram o povo palestino, eles mostraram que por mais que se tente minar com as utopias sinceras e os sonhos, ambos estarão sempre inscritos nas linhas de nossos horizontes. Enquanto houver quem diga não e se recuse a participar inerte destes teatros cotidianos de falsidades e imundices, a esperança brotará fértil nos caminhos do presente e, apesar das pedras e das perdas no meio do caminho, o sol brilhará dissipando as escuridões que pairam sobre estes dias tão sombrios. A estes jovens dou meu apoio e meu respeito.

Veja o Vídeo com a mensagem dos jovens Shministim no YOU TUBE:
Aqui

Entre no site da campanha e envie, também, uma mensagem de apoio:
Aqui


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20 de Janeiro de 2009

"Nasci en Palestina"

Esta chacina na Palestina, orquestrada pelo governo israelense, não mostra apenas o martírio de um povo que há mais de quarenta anos tem seu território invadido e sua vida supliciada, nos mostra, sobretudo, o quanto vivemos num mundo no qual se produz tanto seres humanos dóceis e domesticados como lixo humano descartável. Aos primeiros é reservado o reino do consumo e dos inúmeros prazeres oferecidos pelas indústrias capitalísticas; aos últimos, é dado como benção o martírio que leva de suas casas até a lata de lixo mais próxima. Qual a diferença entre os famintos da África, os favelados do Rio de Janeiro, os pobres da Colômbia, os moradores de rua de São Paulo e os palestinos em Gaza? Todos estes se transformaram em vidas nuas, isto é, vidas contras as quais qualquer tipo de atrocidade pode ser cometido impunemente. Assim sendo, o nosso século pode ser novo, mas ainda engolimos as mesmas e velhas mentiras que justificam as guerras, que legitimam as matanças, que naturalizam as desigualdades, que criminalizam os pobres. Neste mundo atual, atordoado por cifras incalculáveis e atolado em sangue e miséria, a democracia é uma farsa que alimenta cotidianamente a nossa paralisia diante de nosso próprio estado. O que podemos fazer, no mínimo, por nós mesmos é não aceitarmos o mundo como ele é, mas ousarmos transformá-lo. Talvez os reacionários de plantão digam que isso não passa de mais um sonho romântico e ingênuo; os sonhadores, por sua vez, confessem que este sonho também é deles. Por minha parte, sei o quanto uma vida sem sonhos não passa de um pesadelo real, mas que, por outro lado, apenas sonhar não faz com o movimento das águas do mundo mudem seu curso.

Por fim, vale a pena ouvir / ver o vídeo que fiz da canção “Naci en Palestina”, da cantora Amel Mathlouthi.


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18 de Janeiro de 2009

Deus lhe pague

O mundo é um moinho; a vida, ou melhor, roda viva, insiste em girar, rodar, deixando-nos em voltas com a flor e o espinho; com casas simples e baldias, que atravessam nossos caminhos. Na praça vazia um grito um ai, casas esquecidas com viúvas nos portais. Aliás, quantas pedras, buracos e perdas nestas estradas por onde passam, em procissão, mas sem holofotes, os retirantes de uma vida seca e ressequida. Pela varanda, flores tristes e baldias. Deus lhe pague: pela fumaça, pela cachaça, pelas mortes, pela fome, pelas chacinas tão irreais, mas, ainda assim, tão recorrentes. E eu que não sou crente, peço a Deus por esta gente; gente humilde e pobre; gente que, em nossos dias, virou lixo e, por isso, é exterminada a luz do dia.

O pequeno trecho acima faz parte da minha dissertação de mestrado cujo tema refere-se à produção de vidas descartáveis e de subjetividades submissas, hoje, na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo, faço referência a algumas canções, como: o mundo é um moinho (Cartola); Roda Viva (Chico Buarque); A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Alcides Caminha); Ponta de areia (Milton Nascimento & Fernando Brant); Gente humilde (Garoto, Chico Buarque e Vinicius de Moraes); Deus lhe pague (Chico Buaque).

Abaixo está uma montagem de fotos que fiz sobre a música “Deus lhe pague” de Chico Buarque e que publiquei, também, no youtube.


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16 de Janeiro de 2009

É doce morrer no mar

Em suas canções, um de seus personagens principais era o pescador da cidadezinha que acordava sedo, ouvia o canto das ondas junto com o nascer da alvorada distante, para jogando-se ao mar com seu barquinho, aventurar-se nas águas e se tornar meio homem e meio peixe; plantada na areia, a moça da vila, com seus sonhos de menina e sua postura de mulher, esperava ansiosa o retorno de seu amante dos braços de Yemanjá. Dorival Caymmi cantou os costumes e a rica tradição do povo baiano. Cantou com a voz grave, acompanhado de um violão afinado e de belas melodias. Músico singular dentro da história da música brasileira, assinou no chão de areia o seu nome, mas só que este, as ondas não vão apagar. Parafraseando o mesmo, é doce morrer mar:

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi

Foi de tristeza prá mim

Saveiro voltou sozinho

Triste noite foi prá mim

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar

Saveiro partiu de noite foi

Madrugada não voltou

O marinheiro bonito

Sereia do mar levou

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar

Nas ondas verdes do mar meu bem

Ele se foi afogar

Fez sua cama de noivo

No colo de Iemanjá

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar

É doce morrer no mar

Nas ondas verdes do mar


(letra e musica de Dorival Caymmi)


Ouça:

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10 de Janeiro de 2009

Que a chuva caia (Palestina)

As "poesias palestinas de combate" representam o grito de um povo quedécadas luta, resiste e persiste contra a ocupação criminosa de seu território; o extermínio de sua gente; o ultraje de suas tradições e crenças. Um povo feito de refugiados e apátridas; expulsos de suas casas; banidos de seu horizonte; arrancados de suas raízes. Povo que sobrevive como que enclausurado num gueto, sufocado atrás de muros, afogados em poças de sangue. Sua historia é reescrita com mentiras que dilaceram seu passado; seu presente é assassinado com mísseis despejados sobre crianças. Por este povo e por todas as suas lutas, publico a poesia abaixo de autoria da poetisa palestina Farid Suwwan:

A Peste

Quando a peste se alastrou pela minha cidade

Saí

Com o peito descoberto

Gritando ao vento a tristeza implacável.

Sopra, ó vento

E traz-nos as nuvens

Faz com que a chuva caia

Para que purifique o ar de minha cidade

Para que lave as casas, as montanhas e as árvores

Sopra, ó vento

E conduz as nuvens até nós

Que a chuva caía

Que a chuva caía

Poesia retirada do livro: Poesia Palestina de Combate. Rio de Janeiro: Editora Achiamé, S/d

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5 de Janeiro de 2009

Pedalando a vida

Depois de um ano, muitas pedaladas e versos experimentandos, mais uma poesia re-publicada:

Montado em sua magrela
Ele atravessa a rua
Ainda escura
E vai: quer chegar
Mas já está louco para voltar.
Pedala vagaroso
Para que pressa?
Sai cedo para não correr
Pois vai soar a beça
E canta pro dia nascer
Reza pra não morrer
E bebe pra agüentar
A morte e o nascimento
De cada dia e noite de amor
E de tormentos.
Bebe pra se afogar
E pra se esquecer
Que as dores que afundam
Em seu peito fraco
O inundam e o deixam
A mercê no mar
Um barco parado
Apesar das ondas
E da maré
Os remos se soltaram
E ele decidiu
Que não quer mais chegar
E se necessário
Não vai nadar
Afundará com seu barco.
Enquanto isso
Pedala a sua magrela
Para não perder a hora
E chegar atrasado no serviço.
Enquanto isso ele bebe
Por que acha melhor sorrir
Do que chorar.

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3 de Janeiro de 2009

Não há desculpas

Mais uma poesia publicada há cerca de um ano atrás. Em comemoração ao primeiro aniversário do Experimentando Versos:

Desculpem os atos
Inconseqüentes e inaptos.

Desculpem as faltas
Recorrentes e hipócritas.

Desculpem a burocracia
Inválida e convalida.

Desculpem os relatórios
Os rótulos e diagnósticos compulsórios.

Desculpem a indiferença
Estúpida e covarde.

Desculpem estes dias
Em que não se come
Não se bebe
Não se abraça
Não se ama.

Desculpem
Essa vida desgraçada
Atores e atrizes de uma estória trágica
Sem a mínima graça.

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1 de Janeiro de 2009

Com licença (um ano depois)

Esta poesia chama-se "com licença" e foi publicada aqui no Experimentando Versos em dezembro de 2007. Agora, um ano depois, re-publico a mesma em comemoração ao primeiro aniversário do blog. Esta poesia foi, também, publicada num site de literatura com o nome "roubar para viver". Na época, eu não sabia que nome dar a obrae, na dúvida, coloquei o tal "roubar pra viver". Por causa do titulo, teve gente pensando que eu estava, com a poesia, defendendo o direito dos bandidos em roubar e, por outro lado, sustentando o não direito dos bons moços em serem passados para trás e ficarem, assim, calados. Esta poesia deve ter sido parida há cerca de quatro ou cinco anos atrás, não lembro a data agora, e a sensação que ela me causa hoje, relendo-a, é de uma espécie de estranheza, pois um dos personagens principais da historia é um sujeito aparentemente simpático, um tanto educado que demonstra, para espanto geral da nação, sincera preocupação em relação ao aumento da criminalidade e à segurança daquele a quem o mesmo assalta. Ora, cotidianamente inúmeros veiculos de comunicação, especialistas etc fabricam, com seus discursos, textos e reportagens, uma certa imagem do que é ser criminoso, por exemplo, na cidade do Rio de Janeiro. Tal imagem é composta por uma série de componentes racistas e discriminatórios: o bandido é "naturalmente" pobre e negro. Antes que alguém se sinta ofendido, não estou dizendo que não haja na face da Terra criminosos negros e/ou pobres, mas que é preciso que esta imagem que é produzida diariamente seja, também, questionada para que ser negro ou pobre não se torne condição de possibilidade (ou, meio caminho andando) para ser marginal. Tavez haja mais criminosos num condominio de luxo na Zona Sul do Rio do que no Morro Mangueira. O que eu quero dizer, é que esta poesia vai na contra-mão da imagem que, corriqueiramente, temos do que é ser bandido: violento, ignorante, sanguinario, perverso etc. É importante que tudo aquilo que há de fixo e cristalizado em nossas maneiras de pensar, sentir, enfim, de viver sejam questionadas para que, assim, possamos não apenas reafirmar destinos, mas, sobretudo, que nos tornemos capazes de reinventar esta sociedade na qual vivemos e da qual fazemos parte.

Senhor, com licença, a sua carteira caiu no chão
Todo mundo se descuida, não precisa ficar envergonhado
Agora que já pegou, por favor o dinheiro na minha mão
Isso mesmo, sem grito e de bico calado
Eu estou te roubando, isso é um assalto.

Minha família precisa comer
E eu tinha de dar um jeito
Não precisa ficar com medo, o senhor não vai morrer
Esse é o meu ofício: roubar para viver.

Eu não gostaria de estar aqui
Mas não tenho oportunidades
Trabalho é difícil de conseguir
Sinto - me envergonhado, queria mudar de verdade.

Mas é difícil, quem nasce assim
Pobre e sem condição
Corre o risco de levar um tiro e ser o fim
Ou ainda pior ir para prisão.

Deus - que - me - livre
Eu não quero isso para mim
Da minha turma sou um dos poucos que ainda vive.

Mas senhor vamos logo, antes que eu me arrepende
Tire esse dinheiro e passe para cá
Sabe: eu tenho um filho e ele está doente
Preciso comprar remédio, e seu dinheiro vai me ajudar.

Agora o relógio, este que está em seu braço direito
Sem truques senhor, eu estou te olhando
Um assalto tem de ser bem feito
Com todo cuidado e planos detalhados.

O ladrão não pode ter medo
Tem que saber escolher a vítima
Ser rápido e pegar logo o dinheiro
Sem falar, sem marcas, e nada de pista.

Agora senhor, pode ir embora
Ainda bem que cooperou, com licença
Eu tenho de ir, já está na minha hora.
Vai em paz, e cuidado com a violência
Nessa hora a rua tem muitos marginais
Se for de carro, dirija com prudência
Boa noite, eu vou pegar o meu ônibus.

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30 de Dezembro de 2008

Decifrando-se

O Experimentando Versos está completando um ano neste mês e, para celebrar todas as publicações feitas, os comentários sinceros, as mensagens amigas, etc e tal deste período, resolvi re-publicar algumas das primeiras poesias do blog:
Decifrando-se

Cada canto de mim é um mundo
Um lugar instável e indefinido
Quente e úmido, claro e escuro
Onde ressoam melodias e zumbidos.

Cada canto de mim
É um pedaço de terra e ar
Um mar sem fim
Com ondas que batem sem cessar.

Cada canto de mim
É como um verso que faço e jogo fora
E depois reencontro impresso
Nas lembranças de uma hora que vai embora.

Cada canto de mim é passageiro
Como uma nuvem que atravessa o céu
E voa livre sem paradeiro
Sem máscara e sem véu.

Cada canto de mim é um segredo
Um mistério profundo e obscuro
Que aos poucos, com os versos que escrevo
Com os passos que dou, decifro, descubro, desnudo.

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24 de Dezembro de 2008

Ele

Como o Experimentando Versos está completando um ano de existência dia 29 de dezembro eu resolvi re-publicar algumas das primeiras poesias postadas aqui no blog. A número um se chama "Ele":

Ele acordou cedo
Depois de uma noite mal - dormida
Foi trabalhar
Levando na sacola
Uma marmita.

Ele chegou cedo
Bateu seu ponto
Colocou o material no lugar
E iniciou seu dia.

Ele trabalha rápido
Coloca os tijolos, arruma
Depois levanta outra parede
Acerta um telhado, estala uma calha.

Ele come rápido
As mãos ligeiras com o garfo
A faca corta a carne
Pega o arroz e leva a boca - não mastiga, engole.

Ele está cansado
Recolhe o material usado e guarda
Lava-se na bica
E tranca o portão da obra e vai para casa.

Ele que acordou cedo
Só vai dormir tarde
Ele que chegou primeiro
Sai por último.

Ele trabalha e come rápido
É lento para pensar em si mesmo
Ele que está cansado
Acostumou - se com tudo isso.

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21 de Dezembro de 2008

"Prêmio Dardos"

O Experimentando Versos está fazendo 1 ano de existência neste mês. Pela primeira vez, eu vou publicar aqui no blog um prêmio recebido e, por isso, segundo as regras do jogo, vou repassá-lo a outros blogs amigos. Contudo, ao invés de indicar 15 blogs, tarefa árdua, fiz uma lista de 20 blogs que merecem receber tanto o prêmio quanto a visita dos caros leitores.
O prêmio foi dado pela Ana do blog Segunda Versão. O objetivo do prêmio, segundo a Ana é: "Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web".
Lista dos blogs indicados:

1.
http://akitupdx.blogspot.com/ (Tânia)
2.
http://diarioanderson.blogspot.com/ (Anderson)
3.
http://blog-memories.burazine.com/ (Claudya)
4.
http://martaentreparenteses.blogspot.com/ (Marta)
5.
http://buscaavancada.blogspot.com/ (Carol)
4.
http://priscillapontes.blogspot.com/ (Priscila Pontes)
5.
http://borboletastbmchoram.blogspot.com/ (Rúbia)
5.
http://socialitedebaixoclero.blogspot.com/ (Mirabelle)
7.
http://nathaliabatista.blogspot.com/ (Natália)
8.
http://luizasouza.blogspot.com/ (Luiza)
9.
http://procurandoapoesia.blogspot.com/ (Dri)
10.
http://maryameliemauer.blogspot.com/ (Marielen Mauer)
11.
http://www.paravocepaixao.blogspot.com/ (Tikidum)
12.
http://pechisbeque.blogspot.com/ (Ana)
13.
http://pati-prolasqescolhi.blogspot.com/ (Pati)
14.
http://alice-poderosas.blogspot.com/ (Alice)
15.
http://poesiasoriginais.blogspot.com/ (Cristina)
16.
http://equidinamico.blogspot.com/ (Marina)
17.
http://arianevidaepoesia.blogspot.com/ (Ariane Sales)
18.
http://rafaelanogueira.blogspot.com/ (Rafa)
19.
http://sabe-de-uma-coisa.blogspot.com/ (Flavia)
20.
http://sentidosvagos.blogspot.com/ (Marina Bártholo)

Por fim, segundo a Ana, quem recebeu o prêmio se quiser deve:

1) exibir a imagem do selo em seu blog2) linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação3) Escolher outros 15 blogs a quem entregar o Prêmio Dardos4) Avisar os escolhidos, claro.

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