30 de setembro de 2011

Diga não à Belo Monte

Faça o seu protesto, telefonando ou enviando e-mail para o gabinete da Presidência da República e ou assinando a petição pública no link abaixo:
Tel. do Gabinete da Presidência: (61)3411-1200E-mail do Gabinete da Pesidência:
gabinetepessoal@presidencia.gov.br



Belo Monte é um projeto de construção de uma usina hidrelétrica previsto para ser implementado em um trecho de 100 quilômetros no Rio Xingu, no estado brasileiro do Pará.


A Usina de Belo Monte, se construída, será a terceira maior do mundo, e parte do imenso Rio Xingu será represado, serão construídos dois canais que desviarão o leito original do rio, alterando seu potencial hídrico, alagando permanentemente igarapés, destruindo cavernas e sítios arqueológicos, causando a morte de peixes.
Uma área de 500km2 será desmatada para a construção de reservatórios, escavações da ordem de grandeza comparáveis ao canal do Panamá e área de alagamento de 516 km2, o que equivale a um terço da cidade de São Paulo, afetando a vida cultural e econômica de diversos povos da bacia do Xingu.

Será que o Brasil precisa de Belo Monte?
A usina hidrelétrica de Belo Monte vai operar muito aquém dos 11.223 MW, devendo gerar em média apenas 4.428 MW, devido ao longo período de estiagem do rio Xingu. Além disso, Belo Monte produzirá energia a quase 5.000 km de distância dos centros consumidores, com consideráveis perdas decorrentes na transmissão da energia, devido à longa distância.

Qual seria a solução?
Esse modelo de gestão e distribuição de energia a longas distâncias está ultrapassado, o governo federal deveria planejar sua matriz energética de forma mais diversificada, investir em pequenas usinas hidrelétricas, energia de biomassa, eólica (movido pelos ventos) e solar, investir em energias alternativas ao invés de sempre optar por grandes obras hidrelétricas que afetam profundamente determinados territórios ambientais e culturais.
A informação à população de como fazer uso mais eficiente dos recursos energéticos, evitar o desperdício, utilizar lâmpadas de baixo consumo, aparelhos eletroeletrônicos com melhor nível de eficiência energética, são ações simples que desempenham um papel fundamental nesse cenário.

A construção de Belo Monte beneficiará a quem?
O Rio Xingu possui uma população de 13 mil índios e 24 grupos étnicos vivendo ao longo de sua bacia.  Com a construção da hidrelétrica, essas populações serão submetidas aos riscos de insegurança alimentar (escassez de pescado), insegurança hídrica (diminuição dos níveis de água e possíveis problemas para deslocamento com barcos ou canoas) e problemas de saúde pública (aumento na incidência de diversas epidemias, como malária, leishmaniose e outras).
Além dos impactos sobre a fauna e flora local, são 174 espécies de peixes, 387 espécies de répteis, 440 espécies de aves e 259 espécies de mamíferos, algumas espécies endêmicas (aquelas que só existem na região), e outras ameaçadas de extinção.
A bacia do Xingu apresenta significante riqueza de biodiversidade de peixes, com cerca de quatro vezes o total de espécies encontradas em toda a Europa. Essa biodiversidade é devida inclusive às barreiras geográficas das corredeiras e pedras da Volta Grande do Xingu, no município de Altamira (PA), que isolam em duas regiões o ambiente aquático da bacia. O sistema de eclusa (construção que permite que barcos subam ou desçam rios ou mares em locais onde há desníveis) poderia romper esse isolamento, causando a perda irreversível de centenas de espécies.
A construção de Belo Monte beneficiará, apenas, as construtoras privadas que ganharam a licitação e as empresas de mineração que depredam a Amazônia, mas quem paga a conta somos nós.

Fonte: Aqui

28 de julho de 2011

"Sou Fifa" (por Mario Adnet)

O humorista Marcelo Adnet fez, na semana passada, um vídeo satirizando o comportamento da FIFA nas cidades-sede de Copas do Mundo. A música é uma paródia do grupo de funk Avassaladores. Na letra, Adnet fala sobre os “segredinhos” escondidos pela FIFA e pela CBF para enriquecer seus dirigentes

Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=PPuEu0LA5nc&feature=player_embedded

Marcha por uma Copa do Povo (RJ)


Você pensa que a Copa é nossa?
Os governos falam o tempo todo que a Copa e as Olimpíadas trarão benefícios para o Rio e para o Brasil. Mas benefícios pra quem? O custo de vida e o aluguel não param de aumentar, famílias são removidas das suas casas, ambulantes e camelôs, proibidos de trabalhar.
Mais: eles estão gastando dinheiro público nas obras e apresentaram uma lei para não prestar contas depois. Pra piorar, a Fifa, a CBF e o seu presidente, Ricardo Teixeira, organizadores da Copa, sofrem várias denúncias de corrupção.
Tudo indica que com a Copa e as Olimpíadas vamos repetir em escala muito maior a história do Pan-americano de 2007: desvio de dinheiro público, obras grandiosas, mas inúteis depois das competições, benefícios só para os empresários amigos do poder e violação dos direitos de milhares de brasileiros.
As remoções de famílias atingidas pelas obras estão acontecendo de forma arbitrária e violenta. Essa situação já foi denunciada inclusive pelas Nações Unidas. Os jogos estão sendo utilizados como desculpa para instalar um verdadeiro Estado de Exceção, com violação sistemática dos direitos e das leis.
Deste jeito, qual será o legado dos megaeventos? A privatização da cidade, da saúde e da educação? A elitização do futebol e dos estádios? O lucro e os benefícios com isenções e empréstimos subsidiados com o nosso dinheiro para empreiteiras? O lucro da copa é dos empresários, mas a dívida é nossa. Vamos permitir que as histórias da Grécia e da África do Sul se repitam?
Junte- se a nós! Vamos juntos mudar este resultado, venha lutar.
Venha bater uma bola com a gente no Largo do Machado,
dia 30 de julho a partir das 10hs
indo em direção da Marina da Gloria
Remoção zero!
Cidade não é mercadoria!
Não a privatização das terras e recursos públicos, dos aeroportos, da educação e da saúde.
Comitê Popular Rio da Copa e das Olimpíadas
http://comitepopulario.wordpress.com/

10 de julho de 2011

"Tocando em frente"

O Rio de Janeiro estava estranhamente frio. Um vento gelado passeava tirano pelas ruas de Copacabana. O inverno incomum coloriu as ruas do famoso bairro carioca com cores diferentes das habituais. Eu estava com pressa e, ao mesmo tempo, cantarolava “ando devagar porque já tive pressa...” Como se ao evocar a canção de Almir Sater e Ricardo Teixeira (“Tocando em frente”) eu pudesse, como num toque de mágica, tirar de seus acordes, versos e de sua melodia a sabedoria da serenidade de quem sabe que “muito pouco sei, (quase) nada sei”. Andava e meus passos se contradiziam com a cadência tranqüila do ritmo da canção que naquela tarde eu tanto pensava: “é preciso amor para poder pulsar, é preciso paz para poder sorrir, é preciso chuva para florir”. No entanto, eu não podia me atrasar, pois tinha um compromisso e já estava, naquela altura de minha distração, realmente atrasado. Ainda faltavam algumas ruas! Seguia veloz pela Barata Ribeiro quando, ao cruzar um sinal, encontrei-me com uma senhora. Ela estava sentada no chão com as costas apoiadas na parede de um muro. Em seu colo havia uma criança que de tão pequena não devia ter mais do que apenas dois anos. O aspecto de ambos era de extrema pobreza e miséria material. A mulher estava vestida com uma roupa surrada e trazia um lenço amarrado nos cabelos desgrenhados. Diante daquelas pessoas que passavam apressadas ela estendia suplicante a mão e pedia, com os olhos fixos em seu interlocutor involuntário, míseros “dez centavos”. Nada mais do que isso. Ainda assim, poucos lhe davam atenção. Pelo contrário, parece que houve quem acelerasse os passos ao se deparar com a pedinte. Parei em frente a estranha e lhe dei alguns trocados. Ela agradeceu e desejou que eu fosse “com Deus”. A criança em seu colo, então, olhou para mim e abriu um sorriso espontâneo. Não havia mágoa, dor, pobreza ou miséria em seu sorriso. Apenas a beleza de uma alegria estranha e sincera. Não! A estranheza não estava na criança, mas naquele quadro que diariamente se pintava – e se pinta – nas ruas de Copacabana e de tantas cidades pelo mundo! Um quadro no qual se misturavam, viciosamente, a violência da miséria com a violência da indiferença. Me despedi da estranha e de sua criança e voltei a seguir meu caminho. O vento frio não me incomodava tanto quanto a angústia que, agora, me batia. Eu estava triste por aquela mãe que se via obrigada a pedir esmolas para sobreviver. Triste por viver numa sociedade que produz, em escala industrial, pobreza e espaços de exclusão e violência. Triste por nós termos nos acostumado, tão covarde e comodamente, com este estado de coisas. Mas em meio à tristeza, o sorriso daquela criança me alertava para a estupidez de deixarmos sorrisos como aqueles sucumbirem em meio à miséria nossa de cada dia. Olhei ao meu redor e vi pessoas arrumadas com roupas de marcas badaladas, carros importados, lojas “chiques”, prédios enormes etc. Tudo me pareceu tão pobre e de pouco valor perto daquele sorriso. Neste momento, uma senhora que andava ao meu lado percebeu a expressão de estranheza desenhada em minha face e disse como se houvesse alguma proximidade ou companheirismo implícito entre nossos pensamentos: “que absurdo estas pessoas na rua! É isso que estraga Copacabana!” Olhei para ela e, em silêncio, “toquei em frente” pela rua. Naquela tarde em Copacabana não vi nada mais belo e sincero, seja nas ruas, praias ou pessoas, do que aquele sorriso que de tão potente denuncia nossa estupidez. E como nos deixamos ficar perigosamente estúpidos.